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sexta-feira, 7 de outubro de 2011

UM PESO DUAS MEDIDAS

Semana passada o humorista Rafinha Bastos foi punido pela Band em razão de uma piada de péssimo gosto que fez com a "cantora" Wanessa Camargo. O "jornalista" Boris Casoy há algum tempo também cometeu um "deslize" e o fato não teve tanta repercussão e tampouco foi punido. Detalhe: Rafinha Bastos ofendeu a filha de um famoso cantor sertanejo e Boris um gari. Assistam e tirem suas conclusões.



A partir do primeiro vídeo podemos discutir se devem existir limites para se fazer humor. Tem que ter controle externo? Ou os limites são dados pelo bom senso, ou falta dele, do próprio humorista. Por mais que uma piada tenha sido de mau gosto ou políticamente incorreta, um "controle externo" não seria mais nocivo que os constrangimentos causados pela piada? Por outro lado, se uma ofensa racista é crime, qual a medida para discernir uma piada ou apologia ao racismo em uma apresentação humorística?
Em relação aos dois vídeos, realmente é interessate a maneira como a Band tratou os dois casos.

Saimov



quinta-feira, 8 de setembro de 2011

RESPOSTA AO ANÔNIMO

Já tinha dado por encerrada a discussão sobre meu pequeno “textículo” quando eis que aparece o famoso anônimo: Dúd’s Tozinsky. Dada a novidade gostaria de tecer mais algumas considerações.

burguês hipócrita, safado e covarde”
“Burguês hipócrita! Fariseu picareta”
“Tenha certeza fulano que, se tivesse de lutar, iria ser contra você e o bosteiro que tem na cabeça”

Quanto à essas ofensas pessoais feitas anonimamente a mim pelo meu amigo Dúd’s Tozinsky, eu bem poderia responder com uma porção de outros adjetivos tão ou mais ofensivos, mas não farei. Primeiro porque acho que o blog não seria um lugar para isso. Segundo, seria hipocrisia “inventar” calúnias apenas para ofender um amigo de mais de dez anos. Só não entendo como durante esses anos ele não teve ânsia por ter amizade com alguém tão desprezível assim.
Em relação às interpretações que fizeram do meu texto, quanto ao Rafinha não tenho mais nada a dizer, já em relação ao ex-anônimo, me reservo o direito de algumas palavras. Primeiro acho que o que fez foi pura provocação, sem subsídio algum para me interpretar como interpretou, ainda mais por me conhecer há tanto tempo. Em nenhuma parte do que escrevi dei subsídios para me chamarem de autoritário, sanguinário, intolerante...Ou mesmo para me imputarem determinada interpretação caduca do marxismo. Já publiquei alguns artigos sobre a Revolução Russa e qualquer um pode ler as críticas que faço em relação ao autoritarismo, a carnificina...O "anônimo" achou por bem distorcer minhas palavras e fez ao seu bel prazer.
Quanto às principais críticas feitas a mim por Dúd’s Tozinsky, acho que elas cabem melhor ao próprio texto dele, uma espécie de “Receita da Palmirinha para Felicidade” ou “Trocentos mandamentos do homem feliz”, denominado pelo autor de “Manifesto do século XXI”:

“A cartilha a ser seguida é conhecida desde os estóicos gregos, há 2500 anos! Pouco se pode acrescentar de novo a ela. Livrar-se dos vícios, manias e taras.”
“Para que o Homem não seja despojado de uma vez por todas de sua essência natural pela “cultura” niveladora das massas que escoa dos setores dominantes da economia-política, o novo homem secular deve, desde já, velar por si mesmo, esperando o mínimo do Estado e suas instituições corrompidas pelos cupins da ambição e do descaso ao próximo”.

Que bom, temos agora a recita da felicidade!!! São Tozinsky nos deu.

“A salvação das armadilhas comportamentais montadas pela parte já deturpada da sociedade e do Estado passa pelo autoconhecimento e conscientização voluntária do novo homem. Sem a revolução íntima, não haverá revolução coletiva; esta só emergirá da coletividade portadora de valores e princípios que não se combinam ou coadunam com os degradantes valores prevalentes.”

Veja caro Dúd’s, você diz que existem no Estado os “deturpados e não deturpados”. Sou eu que polarizo e simplifico as coisas? E que “revolução íntima” é essa? Vivemos em coletividade, me parece utopia supor que as pessoas, um belo dia, se levantarão e através de vossos mandamentos procederão a tal revolução íntima.
Só espero que leia seu próprio texto e se de conta que todas as críticas que me fez cabem melhor a você. Um texto colocado em forma de receita, como se esses preceitos morais que citou fossem universais, válidos pra toda a sociedade. Seu texto está carregado de julgamentos morais, opondo os “deturpado”, entre os quais acho que você me inclui, e os portadores da verdade, os não deturpados, os que levarão a cabo essa “revolução íntima”, seja lá o que isso signifique na prática.
Por fim, será que você mesmo foi coerente com suas receitas morais? Utilizar o anonimato para ofender pessoalmente um amigo; apertar sua mão e depois denegri-lo moralmente pelas costas; interpretar suas palavras da pior maneira possível apenas para denegri-lo...Tudo isso faz parte da tal “revolução íntima”? Me parece que sua atitude não se encaixa muito bem na parte dos mandamentos em que diz: “Ser fiel aos que nos depositam confiança”.
E mais, não acha que é baixo demais dizer que teve que postar um texto para alguém porque eu estou cerceando a liberdade de publicação? Quando e como fiz isso? Desafio a encontrar um colega do blog que já tenha sido alvo de algum tipo maligno de censura de minha parte. Acho que deveria começar a tal “revolução íntima” retirando isso, pois de acordo com sua receita pra ser feliz, não devemossujar reputações imaculadas” e nesse sentido, você está fazendo justamente o oposto que prega.

“Postado por Dúdis e por um amigo que prefere ficar anônimo. Aproveito para alertar que estamos em vias de ter nossos direitos de postagens anônimas restringidos por um tipo de censura que se disfarça sob o " sistema saimoviano de lidar com as coisas burguesas!".

Enfim, ao menos seja coerente com o que diz e tenha hombridade para assumir o que escreve. Não aperte a mão de um amigo com a faca em suas costas. Não invente coisas para denegrir a reputação de alguém. Novamente lanço o desafio, se algum colega do blog, que se identifique, provar essa afirmação do Dúd’s, ou seja, que eu censurei tal ou qual pessoa de escrever no blog, retiro-me imediatamente do mesmo.
Quanto a infeliz citação acima, basta ler todos os textos para ver que sempre defendi o direto à publicações anônimas.

Saimov

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

ENSAIO SOBRE O ANONIMATO

O coronelismo foi uma prática bastante característica em algumas regiões do Brasil até o século passado, sendo que de certa forma e com algumas modificações, subsiste até os dias de hoje em alguns rincões do país. Grosso modo, o coronel (geralmente um proprietário de terras) constrangia seus apadrinhados ou seu curral eleitoral a votar nos candidatos que apoiava, seja por meio de violência física, econômica, moral...Em um contexto desses o direito ao voto secreto, ou anônimo, é uma medida altamente progressista de aprimoramento democrático.
            Em um regime autoritário, como o instituído no Brasil pelo golpe militar de 1964, o anonimato, mais que uma garantia de se conseguir expressar certas idéias, era também condição para a manutenção da própria vida. A panfletagem, a pixação e várias outras formas de manifestação contra o regime podiam ser punidas com as medidas mais repugnantes possíveis e o que preservava a integridade física dos dissidentes era justamente o anonimato.
Atualmente, em nossas casas parlamentares, seja senado, câmara dos deputados, dos vereadores, o direito ao voto secreto, ao anonimato, pode assumir um caráter bastante retrógrado e nefasto, posto que preserva os interesses corporativos em detrimento das demandas públicas. Se em determinados regimes políticos o voto secreto serve para proteger o parlamentar dos constrangimentos de um executivo, em outras ocasiões funciona como escudo da corporação contra o controle popular.
Em um blog onde não há nenhuma forma de constrangimento aos comentadores, a não ser as próprias tréplicas; onde qualquer um com acesso a internet pode postar sua opinião sem nem mesmo os inconvenientes daquelas letrinhas chatas de verificação; onde não existe qualquer tipo de represália ou moderação, o anonimato pode assumir a forma de covardia, vilania, baixeza das mais baratas. O comentador anônimo pode, em alguns casos, usar desse expediente para passar da crítica à provocação e às ofensas pessoais, escondendo-se covardemente por detrás de sua megalomania. Tal qual o pedófilo virtual, esse anônimo priva seu interlocutor dos meios necessários para se defender. O “atacado” não pode conhecer a totalidade dos argumentos do anônimo, não consegue utilizar suas próprias contradições e muitas vezes nem mesmo sabe se dois textos são do mesmo anônimo. O anônimo pode incorrer nas mais absurdas contradições e ficará protegido por sua covardia. É uma luta injusta e covarde, tal qual o bandido armado contra o cidadão desarmado.
Apesar disso o direito ao anonimato deve ser preservado, podemos ser contra o uso do anonimato, mas não contra o direito dos comentadores escolherem entre se mostrarem ou não. Em muitas ocasiões o anonimato é apenas um expediente inocente para poupar trabalho de se identificar, ou um lapso ou mesmo fruto da legítima timidez. Nesse sentido, o anonimato não é bom ou ruim a priori, podendo assumir desde a face da auto-preservação e timidez até a covardia e a vilania.

SAIMOV

P.S. Por favor, não estou propondo executar os anônimos, mesmo porque seria difícil identifica-los (rsrsrssrrs) e muito menos propondo acabar com o direito ao anonimato, bem ao CONTRÁRIO. Acho que deixei isso claro no texto, mas...Nunca se sabe como um anônimo pode entender.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

da Arte da Controvérsia de Arthur Schopenhauer

Nº 1. Leve a proposição do seu oponente além dos seus limites naturais; exagere-a.
Quanto mais geral a declaração do seu oponente se torna, mais objeções você pode encontrar contra ela. Quanto mais restritas as suas próprias proposições permanecem, mais fáceis elas são de defender.

Nº 2. Use significados diferentes das palavras do seu oponente para refutar a argumentação dele.
Exemplo: a pessoa A diz: “Você não entende os mistérios da filosofia de Kant”.
A pessoa B replica: “Ah, se é de mistérios que estamos falando, não tenho como participar dessa conversa”.

Nº 3. Ignore a proposição do seu oponente, destinada a referir-se a alguma coisa em particular. Ao invés disso, compreenda-a num sentido muito diverso, e em seguida refute-a. Ataque algo diferente do que foi dito.
(...)

Nº 16. Quando o seu oponente apresenta uma proposição, considere-a inconsistente com as declarações, crenças, ações ou omissões do oponente.
Exemplo: Se o seu oponente defende o suicídio, pergunte imediatamente: “Então porque você não se enforca?”
Se ele observar que a sua cidade não é um lugar bom para se viver, pergunte: “Então por que você não parte no primeiro avião?”

Nº 17. Se o seu oponente pressioná-lo com uma evidência contrária, você pode com freqüência safar-se defendendo alguma distinção sutil.
Tente encontrar algum significado subjacente ou ambiguidade na idéia do seu oponente.

Fonte :http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=7221498017774633008

quarta-feira, 1 de junho de 2011

A MARCHA PELA INTOLERÂNCIA

Os jornais de todo país noticiaram nessa segunda-feira a Marcha pela Família, que reuniu cerca de 20 mil católicos e evangélicos em Brasília. Lembro-me de um evento semelhante nos idos de 1964, que acabou sendo uma espécie de prólogo para um golpe militar que instaurou um regime de ódio, terror e intolerância no Brasil.
No melhor espírito cristão, os manifestantes armados com as sagradas, ou sangrentas, escrituras, marchavam contra o Projeto de Lei (PL) 122/06, que criminaliza a homofobia. Resumindo, reivindicavam o legítimo direito de serem intolerantes e manifestarem seu ódio contra pessoas que escolheram viver de maneira diferente.

domingo, 27 de março de 2011

HOMO ANONYMUNS


Despertou com os primeiros raios de sol que entraram pela caverna. Não especulou ou inquietou-se com aquela “bola” amarela que aparecia diariamente, apenas murmurou algo que para nós seria um “gosteeeiii”.
Certa inquietação nas entranhas colocou-lhe em movimento. Saiu da caverna e foi em busca de algo que apaziguasse o incomodo. Encontrou uma espécie de castanha, colocou na boca, apertou os dentes...”Não gosteeeii”.
Encontrou alguma carniça por perto mesmo e não se deu a maior trabalho. Apesar de ver alguns outros que quebravam as castanhas, “não tinha tempo para bobagens” e preferiu ficar com os restos.
Mais adiante umas ancas largas chamaram-lhe a atenção, chegou por trás e satisfez em alguns segundos sua outra necessidade. “Gosteeeiii”. Era o ápice do contentamento e assim voltou a caverna.
Agora a dor era cortante, rasgava-lhe o ventre. Algo precisava sair e não era ele. Agachou ali mesmo na caverna e cagou gostosamente. “Gosteeeiii”. Algum tempo depois percebeu as moscas rondando o fruto de sua obra e teve o que hoje chamaríamos de um insight. Seus olhos brilharam, a mente fervia...Afastou-se alguns metros para fugir do incômodo e dormiu. Não tinha “tempo para bobagens” como tirar a merda da caverna.
O Homo Anonymuns passou seus dias assim, comendo, cagando, dormindo e “gostaanndo” ou “não gostaanndo”. Não construiu ferramentas e tampouco tirou as próprias fezes da caverna. Não sabemos bem o que aconteceu com essa espécie, mas especula-se que tenha sido extinta pela fome ou por alguma epidemia causada pelo seu hábito de ter por alcova os próprios excrementos.

                                                                                      SAIMOV

sexta-feira, 11 de março de 2011

O Fantástico mundo de Fido

(comentário ao texto “A boa nova e a má noticia”)


Confesso que o texto de Dud’s Tozinsky me instigou a tentar alargar um pouco o cárcere da minha mente.
Dessa forma me coloco na sarnenta pele de Fido, um desses vira-latas pulguentos que andam por aí sem era nem bera. O mundo de Fido é azulado-esverdeado, pois seu aparelho ótico não está equipado para enxergar os mesmos comprimentos de luz que nós humanos. Assim, esse pobre infeliz não se sente triste com o cinza ou agitado com o vermelho. Provavelmente outras emoções tomam conta de seu raquítico peito na presença das diversas tonalidades do esverdeado-azulado.
O mundo chega a Fido com muito mais intensidade pelo seu imponente focinho. É praticamente impossível tentar entrar na realidade olfativa de nosso amigo vira-lata. Uma infinidade de odores transmitem milhares de informações não acessíveis a nós humanos. Uma mijada no poste indica amigos, inimigos, flertes...O caminho a seguir é dado menos pela visão que pelo rastro do cheiro da carniça ou do “dono”.
Ontem Fido matou uma ninhada de gatos, filhotinhos ainda. Meia hora depois dormia sossegado, sem o menor indício de remorso pelo “gatissínio”. Do alto de seus doze anos Fido ostenta tumores por todos os lados, porém, não dá a menor demonstração de tristeza, pois o câncer do mundo canino nada mais é do que tumores que levarão a morte, totalmente dissociados da imensa conotação negativa que nossa cultura atribuiu a essa doença.
Também nunca notei qualquer atitude de Fido no sentido de fazer alguma oferenda ao Racional Canino, nem mesmo um juntar de patinhas para pedir que as leis da Física mudem em seu favor. Mesmo supondo que exista um deus canino, quase com certeza é bastante diferente das divindades humanas. Provavelmente ele não disse “Haja luz!”, mas sim algo próximo de “au au au au au” (claro que com todas as limitações de minha tradução).
Mesmo combalido, ontem Fido deu uns pegas em uma cadelinha da rua. Ele não flertou antes e tampouco mandou flores depois. Apenas chegou por traz, cheirou a bundinha e mandou ver...Depois comeu e dormiu...Como dizia o poeta, “dormiu daquela vez como se fosse a última” e não se angustiou nem um pouco de saber que poderia ser mesmo a última.
Fido não reconhece a propriedade privada, não que ele seja comunista, longe disso, pois também não conhece o comunismo. Enfim, o mundo de Fido é o mesmo que o nosso e ao mesmo tempo outro infinitamente diferente. É tanto exterior como interior.
Uma coisa me parece certa, o fantástico mundo de Fido é tão real quanto o nosso.

                                                                                                
                                                                                                                            Saimov

A boa nova e a má noticia.

    Este breve ensaio versa sobre os  impulsos biogênicos e genótipos primordiais da espécie, e sobre os condicionamentos sociogênicos  e fenótipos do comportamento humano; especificamente aos relacionados com o  desempenho mental e suas criações.
A antiga “boa nova” primeiro! O Homem é, foi e sempre será livre para ‘pensar’ sobre o que quer que sua imaginação conjecture. Nossa mente, ainda que conectada e dependente do mundo externo, pode abstrair-se e figurar panoramas, eventos, relações e processos astronomicamente diversos das paisagens, ocorrências e dinâmicas que a envolvem! Assim se passa nos sonhos. Assim se passa nas criações artísticas.
   Mas não há, de fato, nada nos sonhos ou nas criações artísticas que não sejam referentes ao que se encontra no mundo exterior, nada que não seja um rearranjo ou recomposição de materiais percebidos e colhidos no ambiente externo e armazenados em nossa memória.
   Eis agora a má notícia, que também nada tem de nova: o que quer que o Homem livremente pense, ele o fará dentro da jaula de sua própria mente, que por sua vez está confinada dentro de “muralhas cognitivas intransponíveis", ainda que não inescrutáveis! Além das muralhas cognitivas, há o desgaste e deformação inexoráveis da informação armazenada na memória. A memória, por sua vez tem seus processos e mecanismos de funcionamento, de armazenagem e exclusão de dados, exclusivamente regidos pela lei de preservação que preside a sobrevivência dos organismos vivos. Não fosse a eliminação constante e gradual de dados não essenciais, de um modo ou outro, à sobrevivência, os seres vivos não se desenvolveriam. Mas da memória genético-cromossômica dos seres unicelulares e virais à massa encefálica humana, com sua enorme capacidade de armazenagem, há um grande hiato, explicado convenientemente pela teoria darwiniana da evolução pela seleção natural.
    Pois bem. E no que consistiriam estas paredes epistemológicas que enjaulam a poderosa atividade mental humana? Creio existirem pelo menos cinco camadas ou facetas identificáveis nesta cela epistemológica que confina, restringe e delimita o conhecimento e a imaginação humanas. Quatro dos lados seriam opacos, e um, apenas um, translúcido. A “tradição” familiar  transmite dados mítico-religiosos, culturais,  éticos e morais, formando uma das paredes delimitantes da consciência humana. Quando não se é criado em um ambiente familiar, instituições sociais suprem as crianças com substratos equivalentes em orfanatos, internatos, creches e etc.; e deixemos de lado, neste momento as implicações da afetividade sobre a formação da mentalidade.
   Quanto aos costumes, modos, hábitos, preferências, estilos,  maquiagens, vestuários, gostos, culinárias, gesticulações, crenças, modas, jogos, entretenimentospalavreados e gírias, todos se incluem dentro do acervo da cultura transmitida, são amplamente variáveis entre as etnias, sociedades e civilizações,  e nada mais são, a meu ver, do que os mais espumosos e voláteis elementos das conjunturas sociais; as manifestações mais visíveis das preocupações imediatistas e banais da natureza humana; ainda que tenham profundo enraizamento antropológico, que sejam objeto de valiosas e respeitáveis pesquisas em várias áreas  do saber, e que causem distúrbios e fenômenos sociais de grande monta.
   Outra faceta delineante seria a ideologia política dominante e as demais ideologias políticas não dominantes que inundam  o ambiente social, derivadas das lutas pelo poder, dominância e status do universo adulto, e que são transferidas, através da vários meios, às mentes em formação das crianças. Elas são responsáveis também pela difusão do saber técnico-científico em voga .
   Um terceiro fator demarcador da expansão imaginativa e cognitiva seria, a meu ver, a linguagem e os sistemas comunicacionais disponíveis e acessíveis ao aparelho cerebral. Pensa-se e imagina-se em bases gramaticais. Isto é notório e tão evidente que anula a necessidade de comprovação mais fundamentada neste momento para a presente discussão.
   Outra muralha restritiva seria formada, também a meu ver, pelos ditames inescapáveis da antropológica natureza humana. São estes ditames que que nos alertam sobre o que é mais importante ou crucial conjecturar em determinado momento. Evitar a morte iminente, saciar a fome, a sede ou o apetite sexual, satisfazer as 'necessidades básicas', são “prioridades” estabelecidas nas profundezas de nossa natureza biológica. Nossa imaginação é constantemente chamada à concretude empírica pelos condicionantes físio-biológicos da dor, do cansaço, do alerta contra o perigo, do prazer, da auto-preservação e da reprodução.
    A  faceta translúcida, que nos proporciona uma visão introspectiva deste conjunto de condicionantes que encarceram o que se pode ‘livremente’ pensar, eu chamaria de “janela hermenêutica”. Ela nos faz perceber que nosso saber é limitado, fragmentário e quantitativo ao invés de qualitativo. “Só sei que nada sei”, disse humilde e perspicazmente Sócrates. Todavia, esta admissão e a compreensão do que ela implica melhora a qualidade do que produzimos em termos de representações  mentais, idéias e discursos.
   Apenas dentro deste “pentágono” maiêutico é que somos independentes para conjecturar livremente acerca do que deve ser, por exemplo,  uma subpartícula quântica; ou do que deve ser o macrocosmo que nos abriga e do qual somos parte; do que ou quem pode ser o “Criadorcósmico; ou do que pode ter sido o “motor aristotélico” que a tudo imprimiu movimento e que ao visível e invisível originou;  ou para cogitar acerca do que pode vir a ser o que se chama “verdade”... ; ou do que pode vir a ser o ‘futuro’, do que que quer que tenha sido o ‘passado’, e do que poderia realmente ser o ‘presente’. Estas três dimensões temporais são criadas e sustentadas pela imaginação (futuro), pela memória (passado) e pela consciência (presente) em atividades e confabulações  constantes.
   Estamos "livres" dentro de uma cela, nossa própria mente, a qual pode ser mais espaçosa, arejada e mobiliada para uns poucos privilegiados;  ou estreita, sufocante e neurastênica, como o é para a maioria. Dentro desta estreita gaiola, encontramos, as vezes ao acaso, as vezes através de grande empenho, um nexo causal entre fenômenos ou processos. Mas são infindos os fatores causais relacionados a qualquer fenômeno. As correntes de "causa-efeito" são múltiplas, cheias de voltas entre sí, de anéis ou gomos que unificam as várias sequências de elos articulados ou engatados uns aos outros em um complexíssimo  sistema. Ao toparmos com estes nexos, nos julgamos detentores de 'uma' "verdade"... Mas esta "verdade" será sempre fragmentária, pois muito limitado é nosso campo de visão introspectiva, no que diz respeito à "objetividade" do mundo concreto; demasiado débil é nossa capacidade de computar todos os dados do mundo exterior; e imprópria, infelizmente, é nossa  habilidade de produzir sínteses teóricas sólidas, universais e duráveis. Nossos paradigmas científicos¹ são apenas provisoriamente úteis e válidos, e só nos surgem através de enormes e trabalhosos investimentos coletivos em erudição e instrução, ainda que alguns se rotulem de "descobridores" ou "inventores" de sistemas de coisas e/ou de leis "naturais" . Mas não se descarta a hipótese de, como discutido acima, vez ou outra o acaso "sortear" um ou outro indivíduo para a nascença dentro de um contexto material/ambiental favorável, e com uma jaula mental bem espaçosa, arejada, paramentada e mobiliada, nutrida com a seiva da curiosidade artística/científica.  Estas condições facilitam bastante a tarefa de se edificar grandes monumentos intelectuais, e de realizar interessantes "descobertas" nos elos das correntes causais que nos atam à tudo, à todos e ao Todo.
¹ Nota. Ver: Kuhn, T. S A Estrutura das Revoluções Científicas. São Paulo: Editora Perspectiva, 2001.

terça-feira, 8 de março de 2011

Ao honorável Rui Chapeu

Boa noite senhoras!
Eu já nem lembrava mais dos ocorridos naquela noite banal do dia 07/03 quando, subitamente, resolvi perder alguns minutos do meu precioso tempo lendo algumas das futilidades desse auspicioso blog. Não sem susto, deparei-me então com o texto de um certo conquistador de Rubicões francanos escrevendo a história segundo seu ponto de vista maculado pela cegueira típica daqueles que sofrem da síndrome do campeão de bolinhas de gude.
Sem delongas, passo a expor a real versão dos fatos ocorridos.
Ocorre que nessa fatídica e despresível noite chuvosa francana, mais uma vez a trupe resolveu jogar sinuca no Miguelzinho Snooker Bar. Por sorte cheguei já no final do expediente e fui polpado de presenciar a maioria das peraltisses de nossa seleção francana de sinuca.
Mas quando resolvi jogar, nosso grão-mestre Rui Chapéu (Dud's) não tardou a elaborar teses doutorescas acerca de sua magnitude em lidar com o taco na mão e as bolas bem a vontade.
Ocorre que nosso ilustríssimo Rui Chapéu francano assim que segurou firme no taco tratou de logo sair fazendo peraltisses desmedidas (coisas de criança). Ele queria a todo custo dar o seu famoso "chapeuzinho" fazendo a bola branca pular uma de nossas bolas para acertar e, se possível, encaçapar mais uma das suas vítimas.
Eu apenas observava a maestria excepcional (inigualável!) do nosso querido Rui Chapéu, quando não pude deixar de menciosar que aquele tipo de jogada holywoodiana não era permitida na vida real.
Foi quando o nosso abrilhantado gênio sinuqueiro invocou seus 57 anos de experiência em lidar com tacos e bolas para dizer que eu não sabia nada acerca do jogo e que estava equivocado. E aproveitou a oportunidade para se enaltecer fazendo menção aos seus escorreitos tratados acerca da arte geométrica da sinuca e suas contribuições impagáveis para o aperfeiçoamento daquela ciência.
Bem, após o nosso Rui Chapéu ter invocado toda a sua inatingível experiência no jogo, vi que passava por ali o Miguelzinho (Campeão panamericano de sinuca, mas nada que se assemelhe ao nosso Rui Chapéu) e perguntei a este despresível jogador de sinuca se aquela jogada era permitida. O Miguelzinho foi categórico em dizer que isso não existia, que era coisa de doido e a bola só poderia pular de forma acidental, coisa que eu já havia dito, mas, como sempre, o Dud's não poderia aceitar pacíficamente o que eu digo, prova disso é que ele ainda teima em dizer "Simúlacro" e não Simulacro (não tem problema, o vexame é dele!).
Nesse momento, o nosso Rui Chapéu olhou assim meio desolado, sem contra-argumentos diante daquele "campeãozinho panamericano de sinuca" que o contrariou. E como já não tinha mais graça discutir comigo, tratou de alisar o taco de forma conformada.
Tirando esse incidente que contrariou nosso eloquente cientista dos tacos, o que sobrou é que eu e meus parceiros perdemos apenas 2 fichas para o Rui Chapéu, mas nada que não possa ser dígno de uma bela revanche qualquer dia desses...

Rafinha Bola branca

quarta-feira, 2 de março de 2011

A REVOLUÇÃO PERMANENTE E O "ORIENTE MÉDIO"

Nos anos de 1905/06 León Trotsky formulou as bases de sua Teoria da Revolução Permanente. Enquanto os mencheviques defendiam a idéia de que a Rússia deveria passar primeiramente pela revolução burguesa, com um período relativamente longo e sob a hegemonia da burguesia, Trotsky propunha outra tese.
Para os mencheviques a Rússia agrária deveria seguir o mesmo caminho da Europa Ocidental, restando aos socialistas o papel de meros coadjuvantes na democracia burguesa. Trotsky, ao contrário, argumentava que a especificidade do desenvolvimento russo proporcionava a possibilidade de uma revolução sob a liderança do proletariado. Assim, a revolução seria contínua, permanente, passando logo da fase burguesa para a construção do socialismo.
De acordo com sua tese, ao capitalismo russo, financiado pela autocracia czarista, não correspondia uma burguesia revolucionária, longe disso. Por outro lado, o caráter extremamente concentrado da indústria nacional teria forjado um proletariado revolucionário, também concentrado nos grandes centros urbanos. Assim, de acordo com Trotsky a revolução na Russia não só poderia como deveria dar um “salto” sob a fase burguesa. O tempo mostrou a validade de seus argumentos.
As atuais “revoluções”, ou revolução (posto que mostram ter alguma unidade, no mínimo) no “Oriente Médio[1]”, aparentemente apontam para a idéia de que aqueles países buscam tão somente entrarem nas trilhas do desenvolvimento capitalista sob a forma da democracia burguesa.
No Egito, porém, apesar da saída do presidente Hosni Mubarak, as massas não abandonaram “a praça”, mostrando claramente sua insatisfação com algumas reformas superficiais. Essa democracia faria “alto” em sua vertente burguesa? Se a resposta for sim, quais as conseqüências disso? Essas são perguntas nada desprezíveis.
Na Líbia, mesmo a multiplicidade de lideranças tribais aparecem em unidade frente à contestação ao regime autoritário do fossilizado Khadafi. No Irã a insatisfação não é menor, mesmo que por enquanto contida pela repressão governamental. Iêmen, Arábia Saudita...A revolução bate a porta.
O processo ainda está no inícío e existe a possibilidade de ser contido tanto pela repressão como por algumas reformas eleitoras. Porém, as revoluções seguem menos as projeções dos analistas políticos e mais as possibilidades inerentes ao desenvolvimento econômico e social. Uma revolução liberta poderosas forças que antes pareciam adormecidas ou mesmo inexistentes. É como uma reação em cadeia por fissão nuclear, uma vez iniciada...
Líbia, Egito Irã, Arábia Saudita, enfim, o que aqui chamamos de Oriente Médio, são países caracterizados por economias extremamente dependentes do petróleo e com um proletariado relativamente especializado. Contam também, esses países, com importantes concentrações urbanas. A insatisfação com os regimes autoritários é agravada, ou mesmo despertada, pela péssima divisão da renda do petróleo.
Nesse sentido, a insatisfação com a falta de liberdade política pode ser apenas a ponta do iceberg. As contradições sociais parecem profundas demais e talvez não se resolvam com doses homeopáticas de liberdade política. Assim, estaria o “Oriente Médio” condenado a seguir o caminho das democracias ocidentais? A revolução política será inexoravelmente contida na democracia burguesa? Ou ao contrário, o desenvolvimento econômico e social dessa região pode abrir a possibilidade para uma nova e mais profunda forma de democracia, a democracia social?
Uma lição aprendemos com a História: as revoluções são eventos “abertos”, que tornam inevitável o que antes parecia impossível.
Saymon de Oliveira Justo   


[1] O conceito “Oriente Médio” utilizado aqui não é um conceito geográfico, como fica evidente. Sob esse termo refiro-me aos países tanto da Península Arábica como aos do norte da África. O que justifica tal generalização são algumas importantes semelhanças, como por exemplo, o fato de sustentarem suas economias com a exploração do petróleo e seus derivados; a péssima distribuição da renda desse recurso natural; governos autoritários e no plano cultural o islamismo.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Linguagens, características, aspectos, representações e especulações.


   O indivíduo, desde a infância, é cercado e nutrido por diversos sistemas lingüísticos, de amplitude expandida, e por dialetos sociais¹, que revelam a origem, pertença ou experiência social do sujeito.  O “jargão” individual não se opõe à língua natal do mesmo. É uma recombinação grupal, profissional ou pessoal de signos. Os ambientes sonoros freqüentados pelo individuo podem ser rastreados pelo sotaque, pelas gírias, pelo jargão e dialetos vocalizados por ele. A experiência vivida em ambientes sonoros diversos ‘ressurgem’ na linguagem cotidiana do individuo.  As gírias e jargões de um internato, de um orfanato, da escola, do lar, do meio rural, das diversas unidades militares, dos grupos adolescentes, das gangs, das quadrilhas, dos escritórios especializados dos despachantes, dos advogados, dos corretores, dos agiotas, dos editores, dos escritores, dos pesquisadores, ou das múltiplas firmas, indústrias e departamentos comerciais, dos portos, dos prostíbulos, dos laboratórios, das academias, das favelas, dos subúrbios, das cadeias e presídios, dos campos de concentração, dos salões, dos fóruns, dos sets de filmagem, do teatro, dos conservatórios, dos seminários, ordens e monastérios, dos mosteiros, igrejas e templos, somente para exemplificar, ‘reaparecem ’ no linguajar das pessoas quando em ambientes diferentes.
  Quanto maior o número de ambientes vivenciados pelo individuo, é provável que maior sejam seus recursos terminológicos e vocabulares. Se somado a esse repertório verbal o individuo for eloqüente, criativo, loquaz ou fluente; mais rico será seu discurso.
   Entretanto, o homem não será capaz de “figurar” jargões adequados para representar fenômenos macro-cósmicos, pré-cósmicos e micro-cósmicos sem a ajuda da linguagem matemática e lógica. Caso haja uma matemática adequada a estas dimensões, ou caso a matemática ordinária dê conta de representar o que for conceitualizado acerca destas dimensões, é possível que venha “dela” as melhores explicações dos “por quê”, dos “como”, dos “onde”, dos "quando", dos "quanto" e dos “para que”, que estamos sempre a interrogar. Já o  universo pessoal, “intra-cósmico”, é exteriorizado em forma de linguagem ou discurso razoavelmente   compreensível pela comunidade ouvinte circundante.O homem só representa, figura e simboliza aquilo que vê, ouve, toca, sente ou imagina. Os mundos anteriores, exteriores e “posteriores” ao “nosso”, são inacessíveis em sua caracterização correta pelo homem comum. Imagina-se que existam, mas são impalpáveis pela linguagem.
   Talvez a consciência, o raciocínio, a imaginação, os sonhos e o próprio “eu”, sejam apenas produtos da atividade cerebral. Enquanto há atividade cerebral, há vida consciente, ou inconsciente em alguns casos. Mas quando cessa a atividade neuronal, cessam suas complexas produções. Um cérebro falecido, como o demonstra os eletroencefalogramas confirmatórios de ‘morte cerebral’, não acusa atividade elétrica dos neurônios, e esta inatividade neural representa-se no estado de “óbito” do indivíduo. Cessam a produção cerebral de imagens internas (acredita-se), e de respostas a estímulos externos, e em seguida sobrevém o estado tão cercado de tabus, a “morte”. Mas a suposta falência de uma fábrica cerebral, e a paralisação aparente de sua produção, confirmariam a extinção total da individualidade? Ou apenas não somos capazes de dimensionar, medir, qualificar, adjetivar e “representar”, em nossa linguagem habitual, uma atividade ou comunicação² muito mais sutil do que estamos aptos, comumente, a lidar?

Notas: (¹) Ver: Dubois, J. et al. Dicionário de Linguística:São Paulo, Cultrix, 2004, p 184.
          (²) Ver: Katz, C.S. et al. Dicionário de Comunicação: Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1975.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Mundo?

O mundo é o que não esta nos livros; é o que não foi pensado, é o que não foi descrito, é o que não foi dito e nem observado.
O mundo é incognoscível. Ele não é passível de "compreensão", apenas de "representação".
O mundo é o que não foi vivenciado; é o que não foi experimentado.
O mundo é o que não nos foi dado conhecer.
O mundo não é isso, e também não é aquilo; não é deste nem daquele jeito.
O mundo não é tudo; e tampouco o mundo é nada; o mundo não está cheio, e nem assaz vazio.
O mundo não é o berço, não é a casa e nem a mansão; não é o caixão, não é a prisão, nem a pensão ou a salvação.
O mundo não é vasto e não é ínfimo. O mundo não é mensurável nem explicável.
O mundo é o que não esta nas leis; é o que não consta nos tratados; é o que não entendeu o sábio.
O mundo é o que não esta lá fora; é o que não esta aqui dentro. O mundo é o que não tem lugar em nosso saber.
O mundo é inédito e desconhecido. Ele está a uma eternidade de nossa percepção, a uma infinita distância de nossa ciência. 
Como pode? Tudo o que existe ser finito, enquanto todo o inexistente ser infinito?

sábado, 5 de fevereiro de 2011

O indivíduo e a História

Munich, 1923

Após tentativa frustrada de golpe de Estado, membros do Partido Nacional Socialista foram cercados pela polícia. Houve intensa troca de tiros e os golpistas foram presos ou dispersos. O lider do partido, Adolf Hitler, foi morto com um tiro na cabeça.

Se tal notícia fosse verdadeira, o que tera mudado no século XX?

O Partido Nazista teria se reerguido?
Teria a conotação antí-semita que teve?
As clausulas de Versalhes teriam desencadeado a Segunda Guerra?
Se sim, os alemães teriam aberto uma segunda frente com a URSS?
Os alemães teriam banido cientistas judeus?
Os alemães poderiam ter desenvolvido a bomba atômica antes dos americanos? E a jogado sobre Londres ou Moscou, por exemplo?
Enfim, o "indivíduo" Adolf Hitler foi determinante para o desenrolar dos acontecimentos na primeira metade do século XX? Ou foi apenas a ferramenta de que se serviu a História para realizar seus desígnios?

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

VEM SER FELIZ

Confesso que gosto dessa frase. Não por carregar uma beleza inerente ou por constituir uma expressão filosófica de uma humanidade angustiada. Definitivamente não. Gosto dela porque, sem querer, uma importante empresa brasileira conseguiu expressar muito bem nossa modernidade capitalista.
Vem ser feliz. Compre no Magazine Luiza e acabe com suas angustias, sejam elas materiais ou existenciais. Eis a síntese de nossos tempos. O conceito de felicidade umbilicalmente unido ao de consumo. Se estou deprimido, compro. Alegre, também compro. Entediado, compro mais ainda. Comprar, comprar, comprar...Eis a receita que os filósofos a serviço da Dona Luiza exprimiram tão bem.
Na crise econômica que afetou os Estados Unidos ano passado, o governo brasileiro cortou impostos e colocou dinheiro no mercado para incentivar o consumo. Resultado...A crise virou “marolinha”. Estimular o consumo, produzir, consumir... e ser feliz. É a dinâmica capitalista. Mercado saudável, povo feliz, cantaria Zé Ramalho. 
É inerente ao moderno modo de produção global o estímulo ao consumo. O crescimento da economia é sinal de sucesso e sintoma de que todos continuam comprando. O último celular, que está nas Pernambucanas, o último modelo de carro, o tênis do momento...
Porém, a cada percentual de crescimento, a cada barriga cheia em uma churrascaria, a cada iPod ou “iFode” comprado, NOSSO PLANETA DEFINHA. Florestas viram pastos, animais perdem seu lar, rios são transformados em esgoto e as chaminés esboçam a catástrofe iminente.
A lógica: PRODUZIR, CONSUMIR E SER FELIZ, logo deMONSTRA sua verdadeira face: PRODUZIR, CONSUMIR...DESTRUIR...AUTODESTRUIR.
Há solução para esse impasse sob o sistema capitalista? Acho que essa é uma questão crucial que a humanidade precisa se colocar. O espectro do Armageddon ronda o planeta azul.

SAIMOV

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Para que mesmo serve o dinheiro? A quem mesmo serve o dinheiro?

                                           “Não, rico não. Eu sou um pobre homem com dinheiro, o que não é a mesma coisa” (Gabriel García Márques, Amor em tempo de cólera, 1985)
    O dinheiro, a meu ver, é bem vindo como conseqüência de trabalho honesto, digno e produtivo socialmente, pois na própria trajetória para produzir, conscientemente e com qualidade, é que nos aprimoramos como seres gregários que somos, e o aprimoramento pessoal por si só já vale o trabalho, mas não enche a barriga. O dinheiro é um meio, uma medida de valor para podermos efetuar a troca de nossa força de trabalho por bens e produtos. Numa metáfora mais crua, dinheiro é o sangue social do qual precisamos nos suprir para viver e atuar em sociedade, principalmente em sociedades assumidamente capitalistas, como a nossa. Mas nem por isso precisamos nos tornar sanguessugas, morcegos sanguinários em busca cega e desenfreada pelo vermelho vital do sangue social.  Uns se transformam em verdadeiros parasitas, outros em verdadeiros canibais, alguns em zumbis vivendo do sonho de enriquecer ou tornar-se  patrão, e a maioria, na qual me incluo, em mero gado domesticado, ou  "proletário-conformado". Raríssimos são os que têm a coragem para "chutar o balde" e viver de forma alternativa
     Mesmo nessa perspectiva o dinheiro é dispensável ou substituível, pois existiram, existem e existirão comunidades que vivem da permuta de bens e serviços (como indica o termo pecúnia, cuja origem latina é o substantivo pécus, gado, significando que em tempos remotos, mesmo em Roma, o gado era usado como meio de troca), ou da simples divisão do trabalho tribal.
   Prefiro colocar como meta a utilidade ou satisfação que o produto de nosso trabalho oferece às pessoas, e quanto mais pessoas se servirem do fruto dessa atividade virtuosa, acredito que maior será a sensação de missão cumprida, de pacífico contentamento e paz interior que nos invade nestas situações. Novamente, para minha pessoa, não há maior recompensa para um trabalho bem feito do que esta.
   Entretanto, estou ciente de que o próprio dinheiro tem o poder de comprar quase tudo nos dias de hoje. Inclusive pessoas. Mas não amigos! Indivíduos alienados, que nunca produziram nada e que nunca serviram a ninguém, desfilam por aí exibindo seus fetiches de consumo, causando inveja nos infelizes que ainda não perceberam que o maior dos bens possíveis sobre a superfície desse grão de poeira cósmica perdido no espaço sideral, para nossa espécie, não esta em nada externo ou alheio a nós, e sim em nosso íntimo, em forma de paz, alegria, harmonia com cosmos e satisfação de espírito.
                                                        “A paz é mais importante que toda justiça; a paz não foi feita para o bem da justiça, mas a justiça pelo bem da paz”.  Martinho Lutero, 1530.

sábado, 22 de janeiro de 2011

SUGESTÃO DE TEMAS PARA DEBATE

O Maurício sugeriu alguns temas para debater. Mandem mais sugestões ou escolham algum dos tópicos abaixo. Escolheremos por maioria simples e depois começamos os debates.
Continuem mandando notícias do xadrez e postando fotos também. Sugiro o tempo de um mês, pelo menos, para cada debate. Assim, teremos tempo para escrevermos textos de qualidade e refletirmos sobre os mesmos, ainda mais tendo em vista que todos trabalham.  Continuo defendendo a necessidade de divulgarmos mais o blog e trazermos novas pessoas. O que acham? Essa é apenas minha opinião e me submeto a vontade da maioria. Segue os tópicos sugeridos pelo Maurício.

SAIMOV KASPAROV

Sugestões de Temas: (Por Maurício Mendes)
1-      Análise critica da “Constituição brasileira”
1.1- Levantamento das principais contradições.
1.2- Sistema econômico e seus desdobramentos.
1.3- Sistema político
1.3.a- Análise histórica para compreensão dos principais condicionantes da situação atual.
               1.4- Sistema tributário.
               1.5- Questionamento do “Estado”
                       1.5.a- Bases da estruturação jurídica.
                       1.5.b- Bases da estruturação burocrática
                      1.5.c- Sistemas de privilégios (estratificação social)
                      1.5.d- Sistema de distribuição das riquezas nacionais
                      1.5.e- Custo do Estado.
                 1.5.f- Histórico cultural da desvalorização do trabalho como fonte de riqueza.
              1.6- Interesses do povo versus interesse do Estado?
              1.7- Democracia?
              1.8- Acessibilidade e interatividade (meios de informação/comunicação).
              1.9- Educação.
              1.10- Saúde.
              1.11-(...?)

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Réplica à crítica eufemisticamente chamada de “autocrítica”.

Réplica  à critica eufemisticamente chamada de “autocrítica”.
    Bem, pediram-me, e o editorial esta aí. Pensei, escrevi e encorajei outros a escreverem. Não li  nenhum rearranjo, nem correção, nem  comentário que o tornasse mais sucinto, mais sintético ou mais “adequado”. E olha que o enviei a diversos amigos. Mas observo que  há uma nítida tendência interna "centralizadora e autoritária", que “quer porque quer” achar um "caminho certo", "uma via construtiva", "um nexo intertextual", uma “inserção social”. Ora! Deixe que cada um pense por si e que escrevam de acordo com suas aptidões e preocupações! Com o tempo, gradualmente, os grupos, os interesses e as ações se coadunarão. OU NÃO!!  Isso aqui não é partido político, não é agremiação política, não é o PSTU! É um Blog de enxadristas que gostam de discutir e debater temas diversos!  Se tens a ‘consciência pesada’ por nada fazer pelos desfavorecidos, então aja, faça, atue, voluntarie-se! Existem inúmeras formas de ajudar o próximo. Agora mesmo, por exemplo: estão recolhendo donativos aos desabrigados da região serrana do Rio nas sedes dos DP'S da PM, no Janjão, nos Bombeiros. Eu já o fiz, não como obrigação, não porque estava constrangido por nada fazer a respeito de meus contemporâneos. Conheço o valor da caridade, sei de minhas ações, respondo por elas e não preciso que me lembrem de que vivo em sociedade! Não sigo religiões, nem partidos, nem "ordens", nem ideólogos, nem modas, nem tendências, nem idolatrias ou ícones de qualquer tipo que seja. Tenho ojeriza a ordenamentos, leis, normas jurídicas, regras, prescrições, preceitos, diretrizes, conselhos "bonzinhos" e coisas desta lavra. A autoria de minha vida é minha, e das imposições sociais, econômicas, políticas, profissionais, históricas e geográficas sob as quais vivo. Elas já são mais do que o suportável como determinações e condicionamentos. Não preciso de mais correntes atadas à meus calcanhares. Não sou escravo nem servo de ninguém, além de mim mesmo.
    Quando Vossa Eminência diz que “ninguém” lê além do que escreve, comete um ledo e infantil engano. Esta generalizando, provavelmente querendo refletir e atribuir um comportamento seu aos demais. Tenho lido diariamente tudo o que vem sendo escrito. Achei muito interessante os textos sobre a descriminalização do aborto, esclarecedores. O esforço esta sendo feito. Não fui eu quem colocou “futilidades” no nome e no corpo do Blog. Tenho feito o melhor possível com o pouco tempo que tenho de sobra. Agora, se o senhor não esta satisfeito, que publique neste privilegiado espaço coisas que não sejam vômitos ou futilidades.
   Outra coisa. O termo “vomitar os próprios textos” é um vergonhoso plágio intelectual do Profº Drº Gigante; pois era assim que ele “recomendava” a seus alunos que fizessem com seus escritos, a princípio. Escreva algo que preste como modelo, já que o que foi escrito e postado é vômito egoístico/asfixiante para o senhor.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

AUTOCRÍTICA

"Pretendemos constituir um fórum de debates aberto. Debates que busquem respostas e soluções que amparem, sustentem e auxiliem a edificação de uma sociedade mais justa e igualitária. Utópico? Talvez... Mas “um sonho que se sonha junto é realidade” (Raul Santos Seixas)"

Sejamos sinceros. Seria bom se realmente estivéssemos nesse caminho. Porém, debate é a única coisa que não sai por aqui. Cada um só quer "vomitar" seus próprios textos de forma totalmente desconexa. Pelo que percebo raramente alguém lê com atenção o que não é postado por si mesmo. O blog está virando um verdadeiro entulho de vaidades.
Pior, continua totalmente restrito e sem inserção social alguma. Novamente faço um apelo aos amigos para que divulguemos mais o blog, ampliando o número de seguidores e trazendo “ar fresco” para nossos virtuais pulmões.
Apelo também no sentido de escolhermos algum tema mensal ou bimestral para discutirmos, pois essa me parece a única forma de estabelecer um debate organizado e produtivo. Do contrário, continuaremos escrevendo para ninguém ler e isso me parece perda de tempo.
Proponham uma lista de temas para votarmos. Claro que paralelamente aos debates seria legal continuarmos com os comentários do xadrez.
Um abraço a todos

SAYMON

PS. ME DESCULPO POR HAVER ESQUECIDO DE ASSINAR ESSE TEXTO, ASSIM COMO FAÇO COM TODOS OS OUTROS

Enquete com os seguidores.

 Enquete baseada em uma ficção pós-moderna sobre elementos tradicionais e contemporâneos da cultura ocidental herdada.
 The Big Boss’ tale.
   Imagine, através de uma experiência mental, que você tem um patrão ao qual nunca viu o rosto. Você, por varias vezes, e por motivos diversos, “pediu as contas” a esse patrão, o qual parece ser surdo aos seus pedidos. Seus insistentes pedidos de melhores condições de trabalho, de aumento de salário, de “promoções” caem em ouvidos moucos. O tal Patrão se encontra, segundo dizem, à incomensuráveis distâncias no estrangeiro, mas também, dizem, tem escutas por toda a firma, vigiando cada um de seus passos. De fato, ele tem o registro de todos os seus feitos, de sua produtividade, de sua obediência as normas estabelecidas por “Ele”, e confiadas à funcionários comissionados que as interpretam, acreditando que você não é capaz de compreender a essencial do que o Big Boss vocifera.
   O que pensaria você deste Big Boss se ele, ao invés de lhe enviar ajuda nos momentos mais difíceis de sua missão à trabalho, aumentasse constantemente seus fardos com exigências totalmente alheias ao andamento de sua obra? O que pensaria se, além de ignorar seus rogos, “Ele” vivesse lhe imputando “culpas” e temores de punição por intermédio de seus diretores e de outros funcionários que juram ter contato freqüente com “Ele”? O que pensaria se, ao pedir satisfações acerca destas patentes injustiças aos “diretores”, eles dissessem que, se tentasse com mais empenho e pureza de coração, você conseguiria perceber as melhorias implementadas pelo patrão em seu ambiente de trabalho e que, com um pouco de paciência, poderia até mesmo falar diretamente com ele no momento propício? O que pensaria se, após deixar inúmeras mensagens no mural da firma, e nas caixas de reclamações, constatasse que nenhuma foi respondida até o momento, e que é provável que nunca sejam? O que pensaria se, de repente, quando não mais precisasse, aquele velho pedido fosse atendido de forma inconveniente e sem aviso algum, causando-lhe mais transtornos que benefícios, aumentando suas tarefas, aflições, sacrifícios e preocupações? E se percebesse que, tanto com os funcionários improdutivos e preguiçosos, quanto com os produtivos, o Big Boss tivesse a frieza de dispensá-los sem nenhum sinal ou aviso prévio? Justamente quando a família mais precisava deles?
   Responda uma das opções em relação ao texto:
1)      Você acharia que esta trabalhando para um megalomaníaco sem coração, que não merece seus préstimos?
2)      Você começaria a achar que o tal patrão é só uma ficção bolada pelo conselho executivo da firma, desconfiando que “eles” é que são os “donos” da firma, e que só “estão nessa” pelo prestígio e pelo ganho financeiro, pouco se importando com os que lhes são subordinados, inventando toda a estória de Grande Chefe para acalmar seus ânimos?
3)      Você passou a não pensar na hipótese da existência ou inexistência do Chefão, pois acha que, além de enfadonha, as conclusões podem ser muito desalentadoras para você neste momento; e de qualquer forma, você tem de trabalhar como todo mundo?
4)      Você acharia que pode haver algo no ambiente de trabalho que intoxica as mentes, levando-as a acreditarem em um ilusório Big Boss paterno e atencioso?
5)      Você pensaria que, na verdade, o que existe é um grande complô por parte da cúpula administrativa para induzir os trabalhadores à ilusão coletiva de que o Patrão existe e que vela por eles, tornando-os assim confortados, conformados e comportados como ovelhas, trabalhando sem questionar a utilidade dos produtos que fabricam e nem sobre os lucros e direções que o comércio de tais bens gera?
6)      Você poderia pensar que a razão de o Big Boss não se manifestar e não lhe atender é que, como dizem os “diretores”, você é importante demais, e o Chefão, além de ocupadíssimo, não quer nem aventar a possibilidade de perder ou de ter de substituir tão valioso operário, deixando o seu caso, e os de mesmo tipo relacionados aos demais empregados, aos cuidados dos funcionários de “cargo comissionado” da empresa, para ganhar tempo com você em atividade?  
7)      Você pensaria que deve ser desimportante demais como indivíduo para que o tão poderoso Patrão se ocupasse com seus pedidos e queixas infantis; e que “Ele” sabe muito bem do que você precisa, pois conhece a história de inúmeros funcionários, e que só age quando sabe que seus esforços reverterão em prol de seus subordinados.
8)       Você se permitiria pensar que “Ele” não o demite porque reserva a você um ótimo prêmio de aposentadoria pelos anos de bons serviços prestados a “Ele” e que, se Ele não se desfez de você até agora é porque suas chances de se enquadrar em Seus desígnios auspiciosos de retiro são grandes?
9)      Você acharia justo pedir ao Grande Chefe benesses e tratamento que você, já tendo uma boa colocação na “firma”, não dispensa aos que lhe são hierarquicamente inferiores?
10)   Você já notou que muitos de seus camaradas são exonerados justamente quando mais estão satisfeitos com o serviço, após décadas de aprimoramento e um lento e árduo processo de adaptação?
11)   Você já percebeu também que nenhum dos supostos “bem-aposentados” nunca voltou para lhe contar das maravilhas que vivenciam na ilha de descanso, paz e prazeres prometidos pelos porta-vozes do Big Boss?
12)   Você pensaria que os boatos de uma aposentadoria feliz serão confirmados quando sua hora chegar?
13)   Você notou, após alguns anos de trabalho assíduo, pontual e produtivo, que a categoria dos diretores recebe salários que correspondem a varias vezes o seu, e que eles trabalham um décimo do que você trabalha?
14)   Você começa a desconfiar seus chefes imediatos sabem de algo que você não sabe; algo que eles não querem que você saiba?
15)   Você continua acreditando que os bandos de chefes viciados, pedófilos, corruptos, falsos e debochados são mesmo o melhor que o Grande Chefe pôde escolher para lhe retransmitir Suas ordens e elogios?
16)   Você já chegou a cogitar que o Big Boss seria uma fantasia criada por uma turba de medíocres administradores que só estão em seus cargos por uma injusta e inflexível lei do mais forte e mais “bem-nascido”?
17)   Você já parou e pensou que esta louca fantasia se tornou uma lenda dentro da empresa, e um tabu muito forte para ser discutido? E que os diretores continuam amamentando os de baixo escalão com o leite deste “conto de ninar” para que tenham a sensação de que serão recompensados “um dia” por sua disciplina, apoio e bons serviços?
18)   Isto tudo é uma alegoria inventada por um ateu?
19)   Isto tudo é uma parábola cruel e fria sobre a experiência existencial?
20)   Isto é nada mais do que mais uma cínica ficção pós-moderna que busca alienar ainda mais os fracos de opinião?
21)   Isto é uma analogia profana, que desrespeita as fronteiras éticas entre o sagrado e o secular?
22)   Isto é uma metáfora desconstrutivista, elaborada com a finalidade de confundir e chocar?
23)   Isto tudo é uma tentativa tacanha de demonstrar as similaridades entre as estruturas do mundo religioso e as do mundo do trabalho, para demonstrar algo que não ficou claro no texto?
24)   Isto é desencanto de uma mente fodida e atormentada, que provavelmente perdeu, há tempos, a fé no que se convencionou ser digno de crença.
25)   Isto é sujidade imunizante; ou seja, é o medo de que algo realmente importante esteja acontecendo e que dele não estejamos participando. Por isso criamos visões trágicas, pessimistas e desalentadoras sobre artigos de fé.
26)   Isso é coisa de um merdinha amargurado, infeliz e anormal?

27) Você notou que o conselho executivo da grande firma é composto por indivíduos  notóriamente promíscuos e imorais; que exigem de você o contrário do que fazem?  
   Responda nos comentários. Divulgaremos a resposta vencedora e a comentaremos.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Rumo ao fim

Caro Saimov
Ao ler seu texto, percebi um ótimo espaço para divagar um pouco pela filosofia do Direito.
O Direito norte-americano possui dois institutos que em muito nos ajudam a compreender o que eu propus nas linhas anteriores.
Tratam-se de duas expressões latinas: malum in se e malum prohibitum.
Atos definidos como malum in se são maus por sua própria essência, não necessitando de qualquer aparato legal para justificar sua repreensão pública e moral, p. ex. estupro ou assassinato. São atos que a própria noção cultural humana entende com naturalidade tratar-se de algo nocivo, pelo menos dentro dos limites culturais em que vivemos.
Atos definidos como malum prohibitum são aqueles entendidos como maus tão somente porque a Lei assim o quis, p. ex. dirigir na contra-mão.
Perceba que o Direito, seja de qualquer país, não se preocupa com as intenções que levam aos atos, mas se preocupa sempre com os atos propriamente ditos, já exteriorizados para o plano concreto. Um bom exemplo disso é que o Direito jamais poderia condenar a intenção silenciosa de alguém que deseja tirar a vida de seu desafeto. Primeiro, a ação ocorre, e depois o Direito avalia quais os contornos do ato.
Dessa forma, no exemplo por mim citado, o ato de dirigir na contra-mão é considerado malum prohibitum porque as leis de trânsito assim o definem, mas o Direito não questionará as intenções que levaram determinada pessoa a cometer tal ato até que de fato o plano concreto seja modificado pela ação ou omissão da pessoa, p. ex. se em decorrência de dirigir na contra-mão ocorresse um acidente com vítimas fatais ou meros danos materiais. Aí sim as intenções do sujeito serão levadas em consideração, mas sempre buscando saber se a natureza do ato é culposa ou dolosa.
Após essa breve introdução, acredito que o ato de abortar é malum in se, pois interrompe a vida ainda no ventre de sua mãe, não permitindo à vítima qualquer voz perante seus algozes covardes.
Acreditando nessa mesma perspectiva, a Constituição de 1988, em seu art. 5º, caput, inicia o que chamamos de “Cláusulas Pétreas”, pois são imutáveis, mesmo se novo Poder Constituinte Originário refizer os contornos da CF vigente.
E no referido artigo, a CF determina que TODOS têm direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade. Falaremos sobre o que nos cabe, o direito à vida.
O novel Código Civil de 2002, em seu art. 2º, preleciona que: A personalidade civil da pessoa começa do nascimento com vida; mas a lei põe a salvo, desde a concepção, os direitos do nascituro.
Perceba que a personalidade civil, para o Direito Brasileiro, começa com o nascimento com vida. Contudo, como ficou claro, a Lei põe a salvo, desde a concepção, os direitos do nascituro, ou seja, do feto.
Pelo exposto, pode parecer uma séria contradição de minha parte ou até mesmo dos políticos afinados com a ideia da descriminalização do aborto proceder a tal alteração nos moldes da legislação vigente, tendo em vista ser clara e lídima a preservação da vida pela Lei desde a sua concepção.
Mas a questão que ora propus transcende os limites da lei. Questiona atos malum in se, fora, portanto, da esfera de proteção abstrata que a Lei proporciona.
Não se trata, portanto de subjugar os direitos do nascituro em favor daqueles afetos à mãe. Não há qualquer desnível hierárquico que consiga justificar diferenças de valores entre os direitos de um ou de outro. São todos direitos, em mesmo patamar de importância para a legislação, porque todos tutelam vidas humanas de forma equânime.
Contudo, quando falamos em aborto, o agente é sempre a gestante. É ela quem toma a fria decisão de interromper a vida nascente em seu ventre. Mesmo praticado sob as permissões legais do art. 128, CP, o aborto continuará a ser ato malum in se, pois não permite ao feto qualquer artifício de defesa. É um ato covarde por excelência, não tenho dúvidas, mas ainda assim é um ato praticado com frequência assustadora, e quem determina se ele acontecerá será a gestante e não o feto. Daí extraio a ideia de o aborto ser sempre entendido, em sede primeira, pelo prisma do corpo da gestante.
Sobre a questão de ser mais positiva uma política de planejamento familiar e conscientização, não tenho dúvidas de que seria bem melhor. Mas estamos falando do plano concreto em que vivemos. Se pensássemos assim, com certeza a melhor solução é a idealizada. Quando eu propus discutir a descriminalização, pensava no material que temos hoje e não em soluções insondáveis por ora. Seria muito melhor votarmos apenas em políticos conscientes de seu papel público e que não jogassem a favor da corrupção, mas não é o que temos. Seria muito melhor que a renda e a terra fossem distribuídas de forma mais justa, mas não é o que temos. Seria muito melhor não precisarmos lidar com questões como a do aborto, mas hoje é algo impossível. Confesso que não entendi muito bem o oitavo parágrafo do seu texto, porque ele não traz uma solução viável para o problema que estamos discutindo.
Sobre quando começa a vida, bem, como bom católico que sou, penso que ela começa com a concepção. E digo isso porque acredito que ali já há movimento, há uma essência que se não for interrompida, chegará ao seu ponto máximo, o indivíduo humano.
Por fim, sobre a questão das relações de trabalho que você tanto se preocupa, tenho a dizer que isso não pode ser vinculado a questão da descriminalização. Trata-se de uma hipótese generalizante, uma conseqüência que não se relaciona diretamente ao problema do aborto. Uma coisa é tratar diretamente do tema em questão, outra coisa são os reflexos do tema em outras questões. Se levarmos a discussão por esse lado, criaremos tantas variantes que nos perderemos sem nos posicionar efetivamente sobre nada.
Bem, é isso.
Acho q podemos propor outro tema, não é?

Rafinha Capa Blanca
19/01/2011