sábado, 12 de março de 2011

Notificação à Vigilância Epidemiológica municipal.


   Informe urgente dos editores aos membros, simpatizantes e afins, do Blog “Banquinho do Xadrez”.


   Nós, editores do Blog "Banquinho do Xadrez e outras futilidades”, viemos através deste amorfo informe comunicar as autoridades municipais, e alertar nossos membros, sobre o possível surgimento de uma nova pestilência viral. Mais uma ‘virose’ comunitária para lotar o já sobregarregado P.S de Referência!. Em virtude de nosso respeito e compromisso para com as leis “orgânicas” do município, e sabedores de nossa importantíssima  função social, participamos aos interessados um provável surto de “Sinucarréia”.  A enfermidade também tem sido chamada, por falta de nome científico adequado, de “Gripe do Gambá”!

     Indícios deste surto foram identificados no recinto conhecido como “Snooker do Miguelzinho”. Indivíduos infectados com o vírus da “Gripe do Gambá”, enfermidade que maltrata por tabela os narizes alheios, causando desconforto geral, estão disseminando a moléstia entre os freqüentadores do recinto. O foco da epidemia parece, infelizmente, estar centrado entre os membros do “Banquinho do Xadrez”, já que foram eles os primeiros a apresentarem os sintomas e manifestações associados à nova doença!! O caso zero parece, mais uma vez, ter relação com o continente negro, a África. Para preservar a privacidade e identidade dos portadores e enfermos, nos referiremos a eles apenas pelas iniciais. 
   Pois bem. O primeiro a manifestar os desagradáveis sintomas da Gripe do Gambá foi o amigo R.S, mais conhecido pelo vulgo “Ebola”(ops!). O vacilão contraiu  a moléstia sabe-se lá onde, e se tornou o paciente zero, corroborando as suspeitas das investigações preliminares sobre a origem da fétida virose. Assim, ao ter entrado em contato indireto (muito indireto, Graças ao Pai Eterno) com o citado paciente zero no citado recinto, o colega conhecido como D’sT (sigla também suspeita), ou D’sT Sinatra, como ele modestamente prefere ser chamado, adquiriu a moléstia, vindo a apresentar os mesmos sintomas do 'paciente zero' na noite de 4 de março, em pleno carnaval, tornando-se portanto o ‘paciente um’. Em entrevista dirigida por ele à ele mesmo, o agora convalescente e perfumado D’sT, deixou-nos um relato vívido e comovente dos estranhos e catinguentos sintomas:

    “(...) Cara! Tudo começou com uma sensação mental de que me era possível entender a "essência" (sic) da desordem das bolas na mesa, e que eu teria o poder de ajeitar tudo, e encaçapar a todas as bolas jogando a esmo!! Muito louco cara! Tudo, de repente, adquiriu um sentido maior, e pareceu-me que minha predestinada missão na vida era encaçapar tudo à minha frente! Então fui metendo o sarrafo nas bolas e elas foram caindo (...), nisso os capivaras presentes começaram a tampar o nariz (...), na hora não entendi a razão, só sei que logo depois comecei a ouvir o zumbido daqueles mosquitinhos “beira cú” no ouvido! Parecia que eu estava cercado por uma nuvem deles. E acho que estava mesmo! Irado véio! Eu também notei durante a semana que passou que meu cachorro e meus colegas de serviço se distanciavam de mim com o focinho e os narizes torcidos ou tampados. Alguns até se aproximavam, mas com máscaras protetoras. Inocentemente atribuí este comportamento anti-social dos amigos às  repugnantes manifestações do “envelhecimento veloz e precoce” que eu estaria sofrendo, segundo hipótese aventada pelo amicíssimo geriatra, psicoterapeuta,  técnico em leis, códigos, normas e "comportamentos politicamente corretos" ( e enfadonhos), Srº‘Rafa MINI warrior’; com o qual, por sinal, troquei farpas a semana inteira também... Ontem, depois de ter visto os “espirros” nos tacos,  e os “jatos” fétidos seqüencialmente emitidos por C. Krueger, parecidos com aqueles dos gambás, passei a compreender que tudo era efeito colateral da moléstia sobre o meu já deteriorado sistema nervoso, e sobre meus odores corporais, rsrsrsr... Mas foi um alívio tomar consciência disso; ao mesmo tempo em que não foi...(sic). O “Japa” também parecia ter passado pela "Sauna Chiqueiro" antes de descer para o Bar. Foi chato, mas tive até de perguntar à ele se sabia onde ficava o banheiro do recinto; assim tipo uma indireta, sabe? Só sei que a cada espirro de taco e bola caindo na caçapa, o cheirão exalava! Ninguém merece!”

   Percebe-se através deste confuso relato que o hospedeiro/portador/transmissor/ convalescente e matador de bolas "D'sT", ainda não obteve a cura completa! Confrontando esta narrativa com o relato seguinte, tomado ontem à noite á um infectado no mesmo recinto, indivíduo já citado, o efeito dos danos ao SNC causado pela moléstia são expostos de forma inequívoca!  Os doentes da “Gripe do Gambá” apresentam, além da fedentina, excitação e euforia alternadas com irritabilidade e megalomania. Seus peitos se estufam como o de pombinhos copuladores, e os enfermos podem ter acessos de riso incontroláveis. Acompanhem o relato fornecido pelo membro nipônico do grupo, J. Cavalín.L,  ao ser questionado sobre se suas flatulências tinham algo a ver com as encaçapadas ininterruptas e de aspecto aleatório,  provavelmente resultado fortuito da força e mira desleixada imprimida ao taco, refletindo-se no rumo casual  que as bolas tomavam em direção às caçapas, o mais óbvio; ou se eram "desarranjos"  próprios dos efeitos colaterais de um possível contágio:

   “Não é nada disso não!! Manézão!! Vocês brasileiros não compreendem o ethos (sic) nipônico. Devido à recente tragédia sísmica, a comunidade nipônica mundial, muito conscientemente se uniu em um esforço de superação. Concentramos nossas forças para resolver os problemas imediatos, tanto os coletivos quanto os individuais! E é claro que todo esforço concentrado tem sua contrapartida! O esforço das placas tectônicas nipônicas, por exemplo, liberou enorme energia destruidora. O esforço conjunto da nação, se refletirá na 'volta por cima' após a devastação! Enquanto o meu esforço particular, aqui na mesa, fez-me liberar toxinas gasosas pouco aromáticas! Vocês brazucas ignor(#)tes sabem por(#)a nenhuma de nada mesmo, né?!”.

   O fato positivo é que a moléstia aparentemente é auto-imune, e o indivíduo se recupera espontaneamente dentro de aproximadamente sete dias. Como nas viroses comuns, a sinucarréia vai diminuindo em freqüência e quantidade, com o individuo voltando ao seu jogo medíocre e habitual em uma semana. 
   Quanto aos demais membros do grupo, estes apresentaram graus variáveis de contaminação e virulência. Por exemplo, M. "Delfos" Karamazov manifestou, pelo menos até o momento, baixos níveis de sinucarréia e de emissões gasosas pestilentas.  Já o amigo C. Krueger preocupou a todos, pois  parece ter sido o mais afetado, apresentando todos os sintomas acima arrolados, somados a alucinações místico/religiosas, tremores maníaco/eufóricos e pré-convulsivos, além de peidorréias em “jato”, as quais chegaram a danificar o reboco da parede do Sallon do Miguel. O membro mais jovem do grupo, P. Tortoise, se mostrou imune ao contágio, acertando o número habitual de bolas, ou melhor, errando o n° habitual de bolas, chegando mesmo a ressuscitar bolas consideradas mortas, tirando-as do "horizonte de eventos" das caçapas, em inacreditáveis e malfadados lances que,  além de "lambrecarem" o jogo de sua própria dupla, contrariaram algumas leis físicas! Fantástico!

   O especialista em cagarréias, caganeiras e  evacuações pastosas em geral, Drº Eddy K. Gahrr,  explicou:

“(...) em meio século de vida dedicada a sanar o insanável, nunca vi tamanho número de evacuações em tão pequeno espaço de tempo!! Acredito que o contágio pode estar se dando neste exato momento, enquanto os membros do grupo compartilham o tal “Banquinho do xadrez”, e quando fazem o troca-troca promíscuo de peças! Aconselho, neste momento, o mínimo de aglomerações em torno dos cagões e o uso de protetores nasais enquanto não se conhece a exata etiologia da doença! O inimigo é microscópico, e não sei se a humanidade se safará de mais esta cagada!!

    Lastimável...!! Bem amigos, o alerta esta dado! Se depender dos esforços dos editores e colaboradores deste conceituado Blog, os danos à Saúde Pública serão os mínimos possíveis. É mais uma corrida contra o relógio. Mais um desafio para as brilhantes mentes pós-modernas da pesquisa científica do século XXI ocidental. 
                                        “With the lights out its less dangerous;
                                                       Here we are now entertain us;
                                                       I feel stupid, and contagious;
                                                       Here we are now entertain us;
                                                       A mulatto, an albino, a mosquito.
                                                   My libido! Yeah!”
 (Kurt Cobain, Nirvana)

sexta-feira, 11 de março de 2011

O Fantástico mundo de Fido

(comentário ao texto “A boa nova e a má noticia”)


Confesso que o texto de Dud’s Tozinsky me instigou a tentar alargar um pouco o cárcere da minha mente.
Dessa forma me coloco na sarnenta pele de Fido, um desses vira-latas pulguentos que andam por aí sem era nem bera. O mundo de Fido é azulado-esverdeado, pois seu aparelho ótico não está equipado para enxergar os mesmos comprimentos de luz que nós humanos. Assim, esse pobre infeliz não se sente triste com o cinza ou agitado com o vermelho. Provavelmente outras emoções tomam conta de seu raquítico peito na presença das diversas tonalidades do esverdeado-azulado.
O mundo chega a Fido com muito mais intensidade pelo seu imponente focinho. É praticamente impossível tentar entrar na realidade olfativa de nosso amigo vira-lata. Uma infinidade de odores transmitem milhares de informações não acessíveis a nós humanos. Uma mijada no poste indica amigos, inimigos, flertes...O caminho a seguir é dado menos pela visão que pelo rastro do cheiro da carniça ou do “dono”.
Ontem Fido matou uma ninhada de gatos, filhotinhos ainda. Meia hora depois dormia sossegado, sem o menor indício de remorso pelo “gatissínio”. Do alto de seus doze anos Fido ostenta tumores por todos os lados, porém, não dá a menor demonstração de tristeza, pois o câncer do mundo canino nada mais é do que tumores que levarão a morte, totalmente dissociados da imensa conotação negativa que nossa cultura atribuiu a essa doença.
Também nunca notei qualquer atitude de Fido no sentido de fazer alguma oferenda ao Racional Canino, nem mesmo um juntar de patinhas para pedir que as leis da Física mudem em seu favor. Mesmo supondo que exista um deus canino, quase com certeza é bastante diferente das divindades humanas. Provavelmente ele não disse “Haja luz!”, mas sim algo próximo de “au au au au au” (claro que com todas as limitações de minha tradução).
Mesmo combalido, ontem Fido deu uns pegas em uma cadelinha da rua. Ele não flertou antes e tampouco mandou flores depois. Apenas chegou por traz, cheirou a bundinha e mandou ver...Depois comeu e dormiu...Como dizia o poeta, “dormiu daquela vez como se fosse a última” e não se angustiou nem um pouco de saber que poderia ser mesmo a última.
Fido não reconhece a propriedade privada, não que ele seja comunista, longe disso, pois também não conhece o comunismo. Enfim, o mundo de Fido é o mesmo que o nosso e ao mesmo tempo outro infinitamente diferente. É tanto exterior como interior.
Uma coisa me parece certa, o fantástico mundo de Fido é tão real quanto o nosso.

                                                                                                
                                                                                                                            Saimov

A boa nova e a má noticia.

    Este breve ensaio versa sobre os  impulsos biogênicos e genótipos primordiais da espécie, e sobre os condicionamentos sociogênicos  e fenótipos do comportamento humano; especificamente aos relacionados com o  desempenho mental e suas criações.
A antiga “boa nova” primeiro! O Homem é, foi e sempre será livre para ‘pensar’ sobre o que quer que sua imaginação conjecture. Nossa mente, ainda que conectada e dependente do mundo externo, pode abstrair-se e figurar panoramas, eventos, relações e processos astronomicamente diversos das paisagens, ocorrências e dinâmicas que a envolvem! Assim se passa nos sonhos. Assim se passa nas criações artísticas.
   Mas não há, de fato, nada nos sonhos ou nas criações artísticas que não sejam referentes ao que se encontra no mundo exterior, nada que não seja um rearranjo ou recomposição de materiais percebidos e colhidos no ambiente externo e armazenados em nossa memória.
   Eis agora a má notícia, que também nada tem de nova: o que quer que o Homem livremente pense, ele o fará dentro da jaula de sua própria mente, que por sua vez está confinada dentro de “muralhas cognitivas intransponíveis", ainda que não inescrutáveis! Além das muralhas cognitivas, há o desgaste e deformação inexoráveis da informação armazenada na memória. A memória, por sua vez,  tem seus processos e mecanismos de funcionamento, de armazenagem e exclusão de dados, exclusivamente regidos pela lei de preservação que preside a sobrevivência dos organismos vivos. Não fosse a eliminação constante e gradual de dados não essenciais, de um modo ou outro, à sobrevivência, os seres vivos não se desenvolveriam. Mas da memória genético-cromossômica dos seres unicelulares e virais à massa encefálica humana, com sua enorme capacidade de armazenagem, há um grande hiato, explicado convenientemente pela teoria darwiniana da evolução pela seleção natural.
    Pois bem. E no que consistiriam estas paredes epistemológicas que enjaulam a poderosa atividade mental humana? Creio existirem pelo menos cinco camadas ou facetas identificáveis nesta cela epistemológica que confina, restringe e delimita o conhecimento e a imaginação humanas. Quatro dos lados seriam opacos, e um, apenas um, translúcido. A “tradição” familiar  transmite dados mítico-religiosos, culturais,  éticos e morais, formando uma das paredes delimitantes da consciência humana. Quando não se é criado em um ambiente familiar, instituições sociais suprem as crianças com substratos equivalentes em orfanatos, internatos, creches e etc.; e deixemos de lado, neste momento as implicações da afetividade sobre a formação da mentalidade.
   Quanto aos costumes, modos, hábitos, preferências, estilos,  maquiagens, vestuários, gostos, culinárias, gesticulações, crenças, modas, jogos, entretenimentos, palavreados e gírias, todos se incluem dentro do acervo da cultura transmitida, são amplamente variáveis entre as etnias, sociedades e civilizações,  e nada mais são, a meu ver, do que os mais espumosos e voláteis elementos das conjunturas sociais; as manifestações mais visíveis das preocupações imediatistas e banais da natureza humana; ainda que tenham profundo enraizamento antropológico, que sejam objeto de valiosas e respeitáveis pesquisas em várias áreas  do saber, e que causem distúrbios e fenômenos sociais de grande monta.
   Outra faceta delineante seria a ideologia política dominante e as demais ideologias políticas não dominantes que inundam  o ambiente social, derivadas das lutas pelo poder, dominância e status do universo adulto, e que são transferidas, através da vários meios, às mentes em formação das crianças. Elas são responsáveis também pela difusão do saber técnico-científico em voga .
   Um terceiro fator demarcador da expansão imaginativa e cognitiva seria, a meu ver, a linguagem e os sistemas comunicacionais disponíveis e acessíveis ao aparelho cerebral. Pensa-se e imagina-se em bases gramaticais. Isto é notório e tão evidente que anula a necessidade de comprovação mais fundamentada neste momento para a presente discussão.
   Outra muralha restritiva seria formada, também a meu ver, pelos ditames inescapáveis da antropológica natureza humana. São estes ditames que que nos alertam sobre o que é mais importante ou crucial conjecturar em determinado momento. Evitar a morte iminente, saciar a fome, a sede ou o apetite sexual, satisfazer as 'necessidades básicas', são “prioridades” estabelecidas nas profundezas de nossa natureza biológica. Nossa imaginação é constantemente chamada à concretude empírica pelos condicionantes físio-biológicos da dor, do cansaço, do alerta contra o perigo, do prazer, da auto-preservação e da reprodução.
    A  faceta translúcida, que nos proporciona uma visão introspectiva deste conjunto de condicionantes que encarceram o que se pode ‘livremente’ pensar, eu chamaria de “janela hermenêutica”. Ela nos faz perceber que nosso saber é limitado, fragmentário e quantitativo ao invés de qualitativo. “Só sei que nada sei”, disse humilde e perspicazmente Sócrates. Todavia, esta admissão e a compreensão do que ela implica melhora a qualidade do que produzimos em termos de representações  mentais, idéias e discursos.
   Apenas dentro deste “pentágono” maiêutico é que somos independentes para conjecturar livremente acerca do que deve ser, por exemplo,  uma subpartícula quântica; ou do que deve ser o macrocosmo que nos abriga e do qual somos parte; do que ou quem pode ser o “Criador” cósmico; ou do que pode ter sido o “motor aristotélico” que a tudo imprimiu movimento e que ao visível e invisível originou;  ou para cogitar acerca do que pode vir a ser o que se chama “verdade”... ; ou do que pode vir a ser o ‘futuro’, do que que quer que tenha sido o ‘passado’, e do que poderia realmente ser o ‘presente’. Estas três dimensões temporais são criadas e sustentadas pela imaginação (futuro), pela memória (passado) e pela consciência (presente) em atividades e confabulações  constantes.
   Estamos "livres" dentro de uma cela, nossa própria mente, a qual pode ser mais espaçosa, arejada e mobiliada para uns poucos privilegiados;  ou estreita, sufocante e neurastênica, como o é para a maioria. Dentro desta estreita gaiola, encontramos, as vezes ao acaso, as vezes através de grande empenho, um nexo causal entre fenômenos ou processos. Mas são infindos os fatores causais relacionados a qualquer fenômeno. As correntes de "causa-efeito" são múltiplas, cheias de voltas entre sí, de anéis ou gomos que unificam as várias sequências de elos articulados ou engatados uns aos outros em um complexíssimo  sistema. Ao toparmos com estes nexos, nos julgamos detentores de 'uma' "verdade"... Mas esta "verdade" será sempre fragmentária, pois muito limitado é nosso campo de visão introspectiva, no que diz respeito à "objetividade" do mundo concreto; demasiado débil é nossa capacidade de computar todos os dados do mundo exterior; e imprópria, infelizmente, é nossa  habilidade de produzir sínteses teóricas sólidas, universais e duráveis. Nossos paradigmas científicos¹ são apenas provisoriamente úteis e válidos, e só nos surgem através de enormes e trabalhosos investimentos coletivos em erudição e instrução, ainda que alguns se rotulem de "descobridores" ou "inventores" de sistemas de coisas e/ou de leis "naturais" . Mas não se descarta a hipótese de, como discutido acima, vez ou outra o acaso "sortear" um ou outro indivíduo para a nascença dentro de um contexto material/ambiental favorável, e com uma jaula mental bem espaçosa, arejada, paramentada e mobiliada, nutrida com a seiva da curiosidade artística/científica.  Estas condições facilitam bastante a tarefa de se edificar grandes monumentos intelectuais, e de realizar interessantes "descobertas" nos elos das correntes causais que nos atam à tudo, à todos e ao Todo.
¹ Nota. Ver: Kuhn, T. S A Estrutura das Revoluções Científicas. São Paulo: Editora Perspectiva, 2001.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Não maltratem os idosos...

Boa tarde, senhoras!
Eu não poderia deixar de ressaltar ainda as últimas e fraquíssimas referências debochantes a minha estatura feitas pelo modelo espartano e exemplar maior da raça ariana, Dud’s Fudinsky, o qual vem nos abrilhantando com sua irreverência digna dos passos de uma verdadeira Ana Hickmann capotando em pleno sambódromo carioca.
Realmente a estatura e o porte físico desse soldado espartano fazem inveja a qualquer “Mike Tyson”. Essa mistura perturbadora de genes deu ao nosso amigo Dud’s Chupinsky uma estrutura ímpar, praticamente uma seleção natural feita dentro do microcosmos de seu próprio organismo. Darwin daria a vida por um fio de cabelo desse espécime surreal!
Conforme podemos perceber claramente, a estatura física desse personagem mítico transcende e muito os padrões brasileiros.
Mas até mesmo os seus 1,90m de pura beldade não conseguiram resistir longamente à ação do tempo e as marcas da idade já avançam visivelmente por cada uma de suas 4 décadas de vida.
Dud’s Caidinsky chega assim à terceira idade sem conseguir esconder seus “arranhões de guerra”, mas nada que o uso contínuo de “Sustagem” somado a algum outro suplemento vitamínico não resolva.
Dietas balanceadas preparadas especialmente para pacientes geriátricos também ajudam. Nada muito pesado, um suculento miojo na janta já é suficiente para forrar seu cansado estômago fatigado. Recomenda-se não jantar após as 18 horas.
Ao dormir, aquele que outrora esbanjava vigor, hoje já leva (por precaução apenas) um camuflado “papagaio” para o quarto, caso venha a sofrer de incontinência urinária e chegue a padecer dos intempéries de ter que dormir molhadinho...
O cuidado com os esportes também é necessário. Pedalar e correr são muito importantes, tendo em vista a osteoporose que se avizinha, embora xadrez e sinuca sejam mais adequados à carcaça já cansada do nosso herói (não é à toa que seu apelido é Rui Chapéu), além, é claro, de ajudar na prevenção do Alzheimer. Dar milho aos pombos e rezar o terço também servem de atividades ludorterápicas podendo retardar os efeitos da depressão.
Mas não se preocupem, porque nosso herói da terceira idade é criterioso e sempre faz check ups regulares, repetindo religiosamente o exame de próstata. “Prevenir é melhor que remediar” – eis o seu lema.
A reposição hormonal também não costuma ser problema, com exceção do último mês em que o nosso herói tomou progesterona por engano por não ter conseguido ler adequadamente o rótulo do medicamento a ser comprado na farmácia. Sim, foi culpa da catarata...
Bem, meus parcos leitores, como os senhores podem atestar, a ação do tempo é brutal e mesmo o nosso herói espartano de 1,90 m de altura hoje não conta com mais de 1,70 m ou coisa assim. O tempo realmente muda as pessoas. E até mesmo Dud’s Velhinsky que detestava as leis jurídicas e debochava do Direito hoje sente o conforto de poder contar com o Estatuto do Idoso. É isso ae Dud’s, mais qualidade de vida na sua terceira idade!!!

Rafinha Warrior

terça-feira, 8 de março de 2011

Ao honorável Rui Chapeu

Boa noite senhoras!
Eu já nem lembrava mais dos ocorridos naquela noite banal do dia 07/03 quando, subitamente, resolvi perder alguns minutos do meu precioso tempo lendo algumas das futilidades desse auspicioso blog. Não sem susto, deparei-me então com o texto de um certo conquistador de Rubicões francanos escrevendo a história segundo seu ponto de vista maculado pela cegueira típica daqueles que sofrem da síndrome do campeão de bolinhas de gude.
Sem delongas, passo a expor a real versão dos fatos ocorridos.
Ocorre que nessa fatídica e despresível noite chuvosa francana, mais uma vez a trupe resolveu jogar sinuca no Miguelzinho Snooker Bar. Por sorte cheguei já no final do expediente e fui polpado de presenciar a maioria das peraltisses de nossa seleção francana de sinuca.
Mas quando resolvi jogar, nosso grão-mestre Rui Chapéu (Dud's) não tardou a elaborar teses doutorescas acerca de sua magnitude em lidar com o taco na mão e as bolas bem a vontade.
Ocorre que nosso ilustríssimo Rui Chapéu francano assim que segurou firme no taco tratou de logo sair fazendo peraltisses desmedidas (coisas de criança). Ele queria a todo custo dar o seu famoso "chapeuzinho" fazendo a bola branca pular uma de nossas bolas para acertar e, se possível, encaçapar mais uma das suas vítimas.
Eu apenas observava a maestria excepcional (inigualável!) do nosso querido Rui Chapéu, quando não pude deixar de menciosar que aquele tipo de jogada holywoodiana não era permitida na vida real.
Foi quando o nosso abrilhantado gênio sinuqueiro invocou seus 57 anos de experiência em lidar com tacos e bolas para dizer que eu não sabia nada acerca do jogo e que estava equivocado. E aproveitou a oportunidade para se enaltecer fazendo menção aos seus escorreitos tratados acerca da arte geométrica da sinuca e suas contribuições impagáveis para o aperfeiçoamento daquela ciência.
Bem, após o nosso Rui Chapéu ter invocado toda a sua inatingível experiência no jogo, vi que passava por ali o Miguelzinho (Campeão panamericano de sinuca, mas nada que se assemelhe ao nosso Rui Chapéu) e perguntei a este despresível jogador de sinuca se aquela jogada era permitida. O Miguelzinho foi categórico em dizer que isso não existia, que era coisa de doido e a bola só poderia pular de forma acidental, coisa que eu já havia dito, mas, como sempre, o Dud's não poderia aceitar pacíficamente o que eu digo, prova disso é que ele ainda teima em dizer "Simúlacro" e não Simulacro (não tem problema, o vexame é dele!).
Nesse momento, o nosso Rui Chapéu olhou assim meio desolado, sem contra-argumentos diante daquele "campeãozinho panamericano de sinuca" que o contrariou. E como já não tinha mais graça discutir comigo, tratou de alisar o taco de forma conformada.
Tirando esse incidente que contrariou nosso eloquente cientista dos tacos, o que sobrou é que eu e meus parceiros perdemos apenas 2 fichas para o Rui Chapéu, mas nada que não possa ser dígno de uma bela revanche qualquer dia desses...

Rafinha Bola branca

Terça-feira de cinzas para o trio Mauricín, Celinho e Rafinha "Carpa mansa"


“With the lights out its less dangerous
Here we are now entertain us
I feel stupid, and contagious
Here we are now entertain us
A mulatto, an albino, a mosquito
My libido! Yeah!”
 (Kurt Cobain, Nirvana)

A noite do dia 7 de março, 2ª-feira de Carnaval, instigou mesmo os instintos carnais e bizarros dos foliões e fanfarrões do “Banquinho do Xadrez”. Em visita planejada ao “Sallon” de snooker do Miguelzinho (visita com cheiro de complô, e/ou cocô, em vista das armações e das cagadas que ali se viram), o clã dos Marangoni, representado por Celinho Krueger e Pedrinho Tortoise, uniu-se ao clã dos Mendes, representado pelo inveterado em vários maus-hábitos (em geral devassos), Mauricín Karamazov, para arrancarem o couro do desavisado  São Dud’s Tozisnky Sinatra. Mas a noite foi de sorte e maná dos céus para Tozinsky, que teve desempenho excepcionalmente bom, auxiliado pelo amigo Pedrinho Tortoise, que se rebelou contra a ditadura patriarcal e as minguadas mesadas de Celinho Krueger, unindo então suas energias e potencial ao esforço de Tozinsky contra as mafiosas e tirânicas forças dos chefões patrícios. Ambos, Tozinsky e Tortoise, foram indiretamente auxiliados por suas amigas, comparsas, amantes e ex-namoradas, beldades curvilíneas belíssimas que, chamadas com urgência ao evento, vieram disfarçadas de namoradas e acompanhantes de terceiros e lotaram o Sallon, colaborando com Tozinsky e Tortoise para distrair a atenção dos fominhas berlusconianos Celinho e Mauricín, que passaram a babar ao invés de jogar, facilitando o trabalho da dupla ficha limpa, que acabou ganhando sete das oito partidas jogadas. 
   Mas o evento também foi marcado por cenas grotescas. No auge do desespero e já ébrios, Mauricín e Celinho iniciaram um ultrajante e vexatório troca-troca de tacos, com seus braços e mãos entrelaçados uns aos do outro, roçando-se  reciprocamente em público, numa decadente e luxuriosa atitude, digna do Imperador Romano Heliogábalo (203-222 DC), e tão ardorosos quanto os amantes da música de Roberto Carlos, que por coincidência, ou não, seria homenageado pela escola da samba "Beija Flor de Nilópolis", do Rio, naquela mesma noite. É possível que o evento carnavalesco tenha mesmo inspirado os "cônjuges" em conluio.
       Outra ocorrência  interessante e suspeita em toda a trama foi a chegada inusitada do instruído em leis e artimanhas “Rafinha Carpa Mansa”. Visivelmente embriagado (o que  não constitui novidade), o agente advocatício, possivelmente “comprado” pelos patriarcas do “Clãs Unidos”, chegou alterando toda a semântica discursiva do já tenso embate, usando seu famigerado jargão jurisdicional para se referir a leis, regras, normas, precedentes, punições e penalidades, ameaçando e contestando a legitimidade das jogadas da dupla perfeita Tozinsky/Tortoise, chegando ao cúmulo de incomodar o próprio Miguelzinho por ninharias normativas (coisa típica de bacharéis novatos e inseguros),  acreditando com isso insuflar medo e receio nos destemidos vencedores, conhecedores das únicas leis não arbitrárias do jogo de sinuca, as leis da física! O tagarela e mandatário jurisconsulto, ao ser intimado a transmutar em jogadas “legais” e reais sua cacofonia jurídica, nada fez na mesa de bilhar que auxiliasse o “Clãs Unidos” a reverter sua crítica situação. E deste modo saíram os três: derrotados, embriagados e frustrados, tão abatidos a ponto de serem incapazes  de repararem nas piscadelas e selinhos aéreos ininterruptos que as garotas no salão enviavam aos vencedores bonitões!! Uma noite memorável para a dupla Tozinsky/ Tortoise; mais uma noite indecorosa ao trio Rafinha, Mauricín e Celinho. As fotos foram tiradas pelo sempre imparcial Saimov Kasparento, presente no recinto, ausente do jogo (para o bem de todos), e testemunha infiel dos fatos narrados.

quinta-feira, 3 de março de 2011

O duelo menos esperado do ano: Dud's Tozinsky contra Saimov Kasparov!!

O enxadrista Saimov Kasparov, professor de xadrez no “prézinho” da Escola João Marciano, e candidato a "Grão Mestre" pela federação enxadrística do "Banquinho do Xadrez", entidade que reúne os melhores jogadores que perambulam à toa pelo calçadão da Marechal Deodoro, acaba de aceitar, depois de muitas desculpas e subterfúgios, o desafio lançado por Dud's Tozinsky, detentor do importante título do campeonato do Bar do Zé, (localizado na esquina da rua onde o campeão reside em seu barraco, condenado pela Defesa Civil, última maloca da última rua do bairro mais distante da periferia mais sinistra dos subúrbios francanos, bem ao lado do catinguento, mosquiteiro, insalubre e transbordante Córrego Curtume), para um duelo “ao vivo” no Blog “Banquinho do Xadrez”. De acordo com o nível dos jogadores, conforme exposto acima, espera-se de ambos uma partida cheia de táticas sutis, estratégias geniais, domínio técnico das aberturas, do meio jogo e dos finais, além das freqüentemente incompreensíveis e defectíveis combinações típicas do "furioso" jogo de Saimov, e dos sacrifícios dementes, ridículos e ocos, característicos do confuso jogo tozinskiano.  Os membros do prestigiado "clube" poderão acompanhar, gratuitamente, todo o dinamismo e emoções só proporcionados por uma partida de xadrez jogada a um lance por dia. Portanto, regozijem-se amigos espectadores, se houver algum; e que ganhe o menos pior!!

      
Brancas: Tozinsky.     Pretas: Saimov.
 1- P4D                                  1- P4D (vi no livrinho que é bom)
 2- P4BD(gambito)               2- PxP (estou na vantagem!)
 3- P3R(cuidado menininho)     3- P4CD (defesa saymoniana)
 4- P4TD                                          4- P3BD
 5- PTxP (Beware baby)              5- PBxP
 6- D3BR(And Now?)                   6- C3B (TO FU...)
 7- DxC+                                          7- B2D 
 8- D7CD                                         8- P4TD
 9- C3BD                                         9- T1C  
 10- D4R                                         10- C3BR
 11- D2BD                                      11- P3R
 12- C3BR                                      12- B5CD 
 13- B2D                                         13- B3B 
 14- B2R                                         14- P5T
 15- O-O(Roque peq.)                  15- D3D
 16- C5R                                         16- B1T
 17- B3B                                         17- BxB
 18- CxB                                         18- BxC
 19- PxB                                         19- D4D
 20- TR1CD                                    20- O-O (não colou)
 21- B1B                                         21- P3T
 22- B3TD                                       22- T1R
 23- B5BD                                      23- C5R
 24- B4CD(Até Voltaire voltou)    24- T2C (Defesa Muamar Khadaff)
 25- C5R                                         25- C3B 
 26- T1R                                          26- D5R
 27- D2R(Tá agressivo hein?!)    27- C4D
 28- P3BR(Xeque na dama)      28- D5T (há, há, há...Ninguém sabia)
 29- T1R1CD                                 29- CxB It's now or never
 30- TxC                                         30- D2R     
 31- T1TD1C (Aríete)                   31- P3B (escolha suas armas)
 32- CxP5BD (Knight)                32- PxC (deito o rei. Ganhou)
 33- Dud's VICTOR! (Obrigado pela partida).